Resposta direta
Quando a especificação ainda não existe, o contrato não compra solução: compra descoberta, com entregável e ponto de parada próprios, e só depois a entrega. O fornecedor fica responsável por escrever o problema em termos de processo, dado e responsável; a área assume a responsabilidade de dar acesso a quem opera a rotina. Se nenhuma das partes aceita essa divisão, o risco fica inteiro com quem assina. Avaliar e contratar, nesse caso, são o mesmo ato: a empresa não precisa saber o que a IA pode fazer, mas precisa saber o que vai receber e quando pode interromper.
- Objetivo
- Orientar avaliação e contratação
- Formato indicado
- Workshop executivo
- Atualizado em
O que esta página acrescenta: Trata a falta de especificação como cláusula de contrato, não como etapa de diagnóstico.
Quem responde pelo problema
A equipe que não sabe dizer o que a IA pode fazer costuma saber descrever o trabalho: o que chega, o que se decide, o que trava, quanto tempo consome. Essa descrição é a matéria-prima da contratação. Sem ela, a definição do problema passa para o fornecedor, e o fornecedor define o problema pelo que já sabe entregar.
Por isso a responsabilidade de partida fica com a área que opera, não com a área de tecnologia nem com o fornecedor. Um nome responde pela descrição da rotina. Outro responde pelo dado que será usado. Sem essa separação, qualquer proposta parece boa, porque não há contra o que comparar.
O que observar na proposta
Uma proposta séria devolve o problema reescrito. Se o texto repete o pedido original sem acrescentar nada, o fornecedor está aceitando um escopo que ninguém entende. Vale olhar o que ele pede para ver antes de fechar, quais perguntas faz sobre a rotina e o que declara fora de escopo.
Descoberta e entrega devem estar separadas, com entregável próprio e ponto de parada. Assim a empresa pode encerrar depois de saber se o uso é viável, sem pagar por uma construção que ninguém consegue avaliar. Quando as duas etapas vêm juntas e sem critério de aceite, o custo da dúvida fica inteiro de um lado.
Onde essa divisão não ajuda
Separar descoberta de entrega organiza a decisão, mas não cria conhecimento onde não existe. Se ninguém na operação tem autoridade para mudar a rotina, a descoberta produz um relatório que não vira mudança. Também não resolve quando o problema real é dado disperso ou processo sem dono: nesses casos, arrumar o acervo vem antes.
Também não há certeza de que exista um uso viável. É possível contratar descoberta bem feita e concluir que ali não há o que delegar a um agente. Esse resultado é legítimo e deve caber no orçamento, com a mesma naturalidade de uma entrega aceita.
Recurso prático
O que precisa estar definido em cada etapa da contratação
| Etapa da contratação | O que precisa estar definido |
|---|---|
| Antes de pedir proposta | Quem na operação descreve a rotina atual e quem responde pelo dado que será usado |
| Escopo da primeira etapa | Que decisão a IA vai apoiar, com que entrada e que saída, e em quanto tempo |
| Critério de aceite | Conjunto de casos reais que o fornecedor precisa acertar antes de cobrar a entrega seguinte |
| Depois do aceite | Quem opera, quem corrige erro e quem tem autoridade para desligar a solução |
O erro mais comum é juntar descoberta e entrega no mesmo pacote; com escopo vago, o fornecedor define o problema pelo que já sabe entregar.
Conceitos usados nesta página
- Critério de aceite — Critério de aceite é a condição objetiva que define quando uma entrega, tarefa ou automação é considerada concluída — verificável por quem recebe, não por quem produziu.
- Matriz de responsabilidade — Matriz de responsabilidade é a representação explícita de quem executa, quem aprova, quem é consultado e quem precisa ser informado em cada etapa de um processo.
Sobre o que está escrito aqui
Conceitos relacionados: escopo de descoberta · critério de aceite · matriz de responsabilidade · cláusula de interrupção · especificação funcional. Exemplos são ilustrativos. Não há cliente, resultado, preço, prazo ou certificação nesta página. Quando o formato indicado é Workshop executivo, ele descreve uma possibilidade de trabalho — a conversa inicial avalia contexto e aderência.
Para continuar
- IA aplicada e agentes — Página central do tema
- Agente sem supervisão: riscos e onde colocar… — agentes sem supervisão
- Avaliar resposta de IA antes de produção: um… — respostas incorretas
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