Resposta direta
A concentração no dono se resolve com alçada escrita, não com mais confiança no comprador. Antes de passar a mesa adiante, é preciso definir três coisas: a faixa de valor e de risco em que o comprador decide sozinho; o que ele registra de cada contraproposta; e em que condições a negociação retorna ao dono. Sem esse desenho, a autonomia dura até a primeira compra ruim e o dono volta a assinar tudo. A regra de retorno precisa ser por critério, como prazo, volume ou mudança de escopo, e não por desconfiança.
- Objetivo
- Orientar implementação
- Formato indicado
- Diagnóstico executivo
- Atualizado em
O que esta página acrescenta: Trata a concentração como problema de alçada, registro e critério de retorno, não como questão de perfil ou confiança no comprador.
Alçada por valor não basta
A faixa de valor é o começo do desenho, não o desenho inteiro. A alçada precisa dizer em que condições o comprador fecha sozinho: valor do pedido, prazo de pagamento, frete incluído ou não, mudança de especificação e troca de fornecedor. Cada uma dessas condições altera o custo total, mesmo quando o preço unitário cai.
Quem responde por cada faixa também precisa estar nomeado. Alçada sem responsável vira consulta: o comprador decide, mas pede aval antes de decidir. O dono continua na mesa do mesmo jeito, apenas com outro nome no papel.
O que a negociação registra antes de subir
Toda negociação que chega ao dono deveria chegar com três informações: a última contraproposta do fornecedor, o limite que o comprador tem para aceitar e o que muda no pedido se o preço não vier. Sem isso, o dono negocia no escuro e a conversa recomeça do zero.
O registro também separa o que é decisão de preço do que é decisão de risco. Fornecedor sem homologação, prazo curto e volume fora de contrato são riscos, não descontos. Quando os dois assuntos chegam juntos, o dono decide o urgente e o critério fica para depois.
O que a alçada não muda
Existe negociação que só o dono fecha, e não por falta de regra. Contrato de longo prazo, compra que compromete caixa e fornecedor único continuam sendo decisão de dono. A alçada organiza o restante; ela não transforma o comprador em sócio.
Também não se resolve com delegação o que é falta de referência. Sem preço de comparação, histórico de compra ou ficha de homologação, o comprador com autonomia apenas antecipa o erro. Nesse caso, a prioridade é o dado que falta, não a transferência da mesa. E nenhuma alçada impede o fornecedor de procurar o dono por fora; esse assunto se trata com o fornecedor, não com o processo.
Recurso prático
Ganho da concentração por fornecedor
Ganho = (Preço do comprador - Preço do dono) x Quantidade - Horas do dono x Custo-hora do dono
- Preço do comprador
- R$ por unidade
- Preço unitário efetivamente fechado quando a negociação termina sem o dono na mesa
- Preço do dono
- R$ por unidade
- Preço unitário fechado nas compras em que o dono participou da negociação
- Quantidade
- unidades no período
- Volume comprado do fornecedor no mesmo período comparado
- Horas do dono
- horas
- Tempo do dono gasto em reunião, ligação, análise e aprovação daquela negociação
- Custo-hora do dono
- R$ por hora
- Valor da hora do dono usado pela empresa, ou o custo da hora em que ele deixa de tratar de outra decisão
O erro comum é comparar apenas o percentual de desconto. Frete, prazo de pagamento e prazo de entrega alteram o custo total e costumam explicar a diferença entre as duas mesas. Sem corrigir esses itens, o cálculo credita ao dono um ganho que veio da condição de pagamento.
Sobre o que está escrito aqui
Conceitos relacionados: alçada de negociação · contraproposta registrada · critério de retorno ao dono · preço de referência por item · histórico de negociação por fornecedor. Exemplos são ilustrativos. Não há cliente, resultado, preço, prazo ou certificação nesta página. Quando o formato indicado é Diagnóstico executivo, ele descreve uma possibilidade de trabalho — a conversa inicial avalia contexto e aderência.
Para continuar
- Compras e suprimentos — Página central do tema
- Compra recorrente tratada como urgência: o qu… — compra recorrente tratada como urgente
- Compra recorrente tratada como urgente: três… — compra recorrente tratada como urgente
Páginas relacionadas
O mesmo problema em outro objetivo
- Negociação concentrada no dono: onde a decisão trava — Diagnosticar
- Negociação concentrada no dono: o que o comprador decide — Organizar um processo
- Negociação concentrada no dono: comparar alternativas — Comparar alternativas
- Negociação concentrada no dono: o que medir na prática — Explicar medição
- Negociação concentrada no dono: o que contratar e o que exigir — Orientar avaliação e contratação
Outras leituras em Compras e suprimentos
- Material recebido sem registro: o que conferir na entrada — Roteiro para reconstruir o caminho entre recebimento físico, conferência e lançamento e localizar onde o material recebido deixa de ser registrado.
- Ruptura de item crítico: alternativas lado a lado — Compara reposição emergencial, substituição de item, transferência entre unidades e reprogramação sob os mesmos critérios de prazo, custo e risco.
- Fornecedor duplicado: o que comparar antes de unificar — Compara unificar, vincular por chave comum e bloquear na entrada, com o dado e o responsável que cada alternativa exige.
- Especificação trocada sem revisar preço: como medir o desvio — Mostra o que registrar e comparar para medir o desvio entre a especificação pedida e a entregue, sem depender de revisão de preço.
- Cadastro de fornecedor duplicado: a chave antes da fusão — Critério de chave, escolha do registro mestre, transferência de vínculos e responsável pelo cadastro de fornecedor duplicado.
