Resposta direta
A medição começa por fixar a especificação de referência e a unidade que o preço compra. Cada item precisa de um atributo mensurável — resistência, peso, teor, tolerância, vida útil declarada — e de um preço por unidade desse atributo. A troca é medida pela diferença entre o atributo cotado e o entregue, convertida em quantidade necessária para o mesmo resultado. Se o fornecedor entrega atributo menor e mantém o preço, o custo por unidade de função sobe; esse é o número a registrar. A revisão de preço é consequência do cálculo, não condição para fazê-lo.
- Objetivo
- Explicar medição
- Formato indicado
- Diagnóstico executivo
- Atualizado em
O que esta página acrescenta: Converte a troca de especificação em custo por unidade de função, sem depender de o fornecedor aceitar revisar o preço.
O que fica registrado antes da troca
Sem especificação de referência registrada, a troca não é desvio: é interpretação. O registro precisa conter o atributo que o preço comprava, o método de medição aceito, a unidade e a tolerância combinada. Também precisa nomear quem aprovou a especificação original e quem tem autoridade para aceitar mudança.
O mesmo vale para o lado do fornecedor. A proposta vencedora deve guardar o atributo ofertado, não apenas a descrição genérica do item. Quando a nota fiscal descreve algo diferente, a comparação só é possível se os dois registros usarem a mesma unidade e o mesmo método.
Do atributo ao custo por unidade de função
A conta parte do preço unitário dividido pelo atributo efetivamente entregue. Se o item cotado previa determinado teor e o entregue tem teor menor, a quantidade necessária para o mesmo resultado aumenta. O preço nominal pode ficar igual; o custo por unidade de função não.
O resultado deve ser lançado no mesmo registro da compra, com data, lote e responsável pelo aceite. Medição sem lançamento não gera histórico e não sustenta cobrança depois. A revisão de preço, quando ocorre, usa esse número como base, mas não substitui o cálculo.
O que a medição não resolve
A medição não prova intenção nem decide se a troca era tecnicamente aceitável. Ela também não recupera valor por si: a cobrança depende de contrato, prazo e disposição do fornecedor em reconhecer o desvio. Em itens sem atributo mensurável, como acabamento ou suporte, a conta perde precisão e vira avaliação por critério.
Também não se aplica quando a especificação original era genérica demais para servir de referência. Nesse caso, o primeiro trabalho é reconstruir a referência, não calcular desvio. E o número apurado não garante que a próxima compra será comparável: isso depende de o registro ser repetido em cada pedido.
Recurso prático
Custo por unidade de função após troca de especificação
Custo por unidade de função = preço unitário ÷ atributo entregue por unidade; Desvio = (atributo de referência − atributo entregue) ÷ atributo de referência
- preço unitário
- R$ por unidade comprada
- Preço fechado no pedido, sem rateio de frete ou impostos que não estejam no contrato.
- atributo de referência
- unidade do atributo medido
- Valor do atributo na especificação cotada e aceita na proposta vencedora.
- atributo entregue
- unidade do atributo medido
- Valor apurado no recebimento, pelo mesmo método usado na referência.
- quantidade comprada
- unidade do item
- Volume efetivamente recebido e aceito no lote, base para o lançamento do desvio.
O erro mais comum é comparar o preço unitário nominal e concluir que não houve perda. O desvio só aparece quando o preço é dividido pelo atributo entregue e a diferença é convertida na quantidade necessária para o mesmo resultado.
Sobre o que está escrito aqui
Conceitos relacionados: especificação técnica · unidade de função · desvio de especificação · preço por unidade de medida · registro de recebimento. Exemplos são ilustrativos. Não há cliente, resultado, preço, prazo ou certificação nesta página. Quando o formato indicado é Diagnóstico executivo, ele descreve uma possibilidade de trabalho — a conversa inicial avalia contexto e aderência.
Para continuar
- Compras e suprimentos — Página central do tema
- Compra recorrente tratada como urgente: onde… — compra recorrente tratada como urgente
- Compra recorrente tratada como urgência: o qu… — compra recorrente tratada como urgente
Páginas relacionadas
O mesmo problema em outro objetivo
- Especificação trocada, preço mantido: onde o custo some — Diagnosticar
- Troca de especificação sem revisão de preço: quem decide — Organizar um processo
- Especificação trocada com preço mantido: as saídas possíveis — Comparar alternativas
- Troca de especificação com preço mantido: o que provar — Orientar implementação
- Troca de especificação sem revisão de preço: o que acordar — Orientar avaliação e contratação
Outras leituras em Compras e suprimentos
- Pagamento sem lastro: onde conferir antes de liberar — O que conferir no pagamento a fornecedor quando o recebimento não tem lastro, quais evidências faltam e como separar pendência de processo de exceção real.
- Estoque sem mínimo e máximo: o que o contrato precisa fixar — Mostra o que o contrato precisa registrar quando o fornecimento de estoque não tem mínimo e máximo, e onde esse arranjo deixa de funcionar.
- Ruptura de item crítico: o que o contrato precisa cobrir — O que definir no contrato de reposição de item crítico em falta: objeto, prazo, evidência de qualidade, preço e responsabilidade, e o que ele não resolve.
- Especificação técnica incompleta: medir decisões em aberto — Mede especificação técnica incompleta pela contagem de decisões em aberto que impedem o fornecedor de cotar, e indica onde essa medida não basta.
- Especificação incompleta: como comparar o que sobrou — Comparação de propostas quando a especificação técnica tem lacunas: o que cada fornecedor assumiu, qual desvio pesa e onde a decisão deixa de ser técnica.
