Resposta direta
A fonte da verdade é uma decisão por dado, não por empresa. O caminho prático é listar as entidades do processo, agrupar os campos que importam para decisão e operação, e atribuir para cada grupo um sistema de registro, um responsável nomeado e a regra de quem pode escrever. Sem essa atribuição escrita, cada área mantém a própria versão e a divergência volta na próxima operação. A definição precisa caber em uma página por entidade e ser conferida contra o que os sistemas realmente permitem fazer.
- Objetivo
- Orientar implementação
- Formato indicado
- Projeto de implementação
- Atualizado em
O que esta página acrescenta: Trata a escolha da fonte como atribuição de responsabilidade e direito de escrita entre áreas, não como decisão técnica sobre ferramenta.
A unidade de decisão é a entidade, não o sistema
Antes de discutir integração, vale separar o que a operação trata como uma coisa só: cliente, contrato, item de estoque, título a receber. Cada uma dessas entidades tem campos que decidem algo, como limite, preço, vencimento ou saldo. É nesse nível que a fonte da verdade precisa ser atribuída, porque um sistema pode ser correto para o cadastro e errado para o movimento.
Na prática, a atribuição ocupa uma linha por campo ou por grupo de campos. Três colunas resolvem a maior parte: qual sistema é o registro oficial, qual papel responde por manter o dado e quem pode alterar fora do sistema de registro. Campo sem essas três respostas costuma ser exatamente o que aparece divergente depois.
Quem corrige quando o dado chega errado
Definir a fonte resolve a origem, não o conserto. Falta nomear quem recebe o aviso, quem tem autorização para corrigir, em qual sistema a correção é feita primeiro e como o restante é atualizado. Sem esse passo, a equipe identifica o erro e não sabe onde agir.
Essa responsabilidade precisa estar ligada a um papel que existe na rotina, não a um comitê que se reúne. Também é útil registrar o que acontece quando a correção é urgente e não há tempo de seguir o fluxo: a exceção precisa deixar rastro para ser reconciliada na semana seguinte.
O que a definição de fonte da verdade não resolve
Ela não corrige processo confuso. Se duas áreas executam a mesma etapa em momentos diferentes, atribuir um sistema de registro não elimina a duplicidade, apenas a torna visível. Também não cobre o período em que os dados antigos seguem em bases separadas, com regras de negócio que já mudaram.
Há casos em que a planilha é a fonte legítima, porque nenhum sistema cobre aquela operação. Declarar um sistema oficial apenas para cumprir a regra piora a situação: a equipe mantém a planilha e a empresa passa a ter duas versões oficiais. O critério é escolher como fonte o lugar onde o dado é realmente produzido e mantido, e revisar essa escolha quando o processo mudar.
Recurso prático
Cobertura de fonte da verdade
Cobertura = (campos críticos com fonte, responsável e regra de escrita definidos ÷ total de campos críticos) × 100
- Campos críticos
- campo
- campos que alteram decisão, preço, prazo ou obrigação em pelo menos um processo
- Campos definidos
- campo
- campos com sistema de registro, papel responsável e regra de quem pode escrever fora dele
- Campos com escrita externa ativa
- campo
- campos definidos que ainda recebem alteração por sistema ou planilha fora da regra
O erro mais comum é contar como definido o campo que tem fonte declarada em reunião mas continua recebendo escrita manual de fora. A cobertura mede a definição; a escrita externa ativa mede se a definição pegou.
Sobre o que está escrito aqui
Conceitos relacionados: sistema de registro · entidade de negócio · direito de escrita · catálogo de entidades · chave de correlação. Exemplos são ilustrativos. Não há cliente, resultado, preço, prazo ou certificação nesta página. Quando o formato indicado é Projeto de implementação, ele descreve uma possibilidade de trabalho — a conversa inicial avalia contexto e aderência.
Para continuar
- Integrações, sistemas e qualidade de dados — Página central do tema
- Falhas silenciosas em integrações: como perce… — falhas silenciosas
- Cadastros duplicados: como descobrir e consol… — cadastros duplicados
Páginas relacionadas
O mesmo problema em outro objetivo
- Arquitetura sem mapa: como reconstruir o caminho do dado — Diagnosticar
- Dono de cada dado: mapa antes de integrar mais um sistema — Organizar um processo
- Arquitetura de integração: o que comparar antes de decidir — Comparar alternativas
- Arquitetura: como medir o que ela entrega na operação — Explicar medição
- Contratar arquitetura: o que fica definido e por quem — Orientar avaliação e contratação
Outras leituras em Integrações, sistemas e qualidade de dados
- Fonte única para cada indicador: o que exigir na contratação — O que declarar como fonte oficial de cada indicador e o que constar no contrato e na rotina para sustentar essa escolha na operação.
- Duas fontes para o mesmo número: qual delas decide — Compara os arranjos possíveis para definir a fonte de cada indicador e o que cada um exige em regra, dono e manutenção.
- Chave ausente: como ligar cadastros sem identificador comum — Processo para construir e manter a ligação entre cadastros sem chave comum, com regra de correspondência, responsável e registro dos vínculos.
- Integração sem documentação: como reconstruir o que ela faz — Descreve como levantar o que uma integração faz a partir de evidências de operação, e o que permanece desconhecido quando não há registro escrito.
- Integração sem identificador de execução: o que comparar — Comparação de três formas de rastrear uma execução de integração quando não existe identificador próprio, com o custo de manutenção e os limites de cada uma.
